segunda-feira, 3 de setembro de 2012

[Fanfic] Dear Sun - Capítulo 20




Capítulo 20

                – Jessie, você pode me explicar o que aconteceu? – Aiba perguntou, alguns minutos depois de Eloise sair bufando. Jéssika havia sentado novamente no sofá, e permanecera olhando fixamente para a parede oposta.
                – É complicado. Muito complicado. – Jéssika respondeu baixinho, os olhos ainda fixos na parede.
                – Você está bem? – Aiba falou, segurando-a pelos ombros e a obrigando a tirar os olhos da parede e olhar para o rosto dele.
                – Não sei. Acho que eu fiz uma coisa errada, mas não tenho certeza. – seus olhos encheram-se de lágrimas que logo começaram a escorrer por sua face – Quer dizer, eu achava que estava fazendo uma coisa boa, mas tudo aconteceu tão rápido...
                – Porque ela estava gritando? – Aiba continuava a olhar dentro dos olhos marejados de Jéssika.
                – O pai da Haru encontrou-a, e fui eu quem contou para ele onde ela estava. – Jéssika falou, mais lágrimas escorrendo por sua face.
                – Espera, explica direito: ela estava se escondendo ou algo assim? – perguntou, ainda mais confuso.
                – Mais ou menos isso. – ela começou a explicar, percebendo que ia ter que contar desde o início – Quando descobriu que estava grávida, a Eloise fugiu, achando que o pai da Haru ia pedir para abortar, até porque ambos eram muito jovens. Ela ainda estava no segundo ano de faculdade e ele tinha terminado há pouco tempo. Eloise acabou voltando para cá, e pediu que ninguém contasse para ele onde ela estava. Por muito tempo, ele ligava para a mãe dela perguntando, ligava pra mim, para todos. Até veio pra Foz procurá-la, mas não encontrou. E foi assim por três anos.
                “Eu sempre estive aqui, ao lado dela. Vi o sofrimento dela, sentindo saudades, tendo que sustentar uma filha sozinha enquanto fazia faculdade. Foi muito difícil. Os últimos dias foram especialmente difíceis, então eu decidi ligar pra ele.”

                Flashback on
               
                Jéssika mantinha Eloise segura em um abraço apertado, a amiga chorava muito. O vídeo fora mais do que ela podia suportar.
                Eloise passara a noite em claro, chorando. Jéssika esteve ao seu lado boa parte do tempo, ouvindo tudo o que a amiga conseguia dizer entre lágrimas e soluços. Eloise contou-lhe sobre o beijo de Jun e sobre o que achava que sentia por ele. Mas não fazia sentido pensar nisso depois do vídeo de Kenji.
                – Você realmente ligou pra ele? – Jéssika perguntou.
                – Sim, há algumas noites, logo que o Arashi chegou. – Eloise respondeu, ainda soluçando, abraçada à amiga – Foi por impulso, eu precisava ouvir a voz dele.
Depois de algum tempo, Eloise praticamente implorou que Jéssika a deixasse sozinha. Contrariada e preocupada com a amiga, Jéssika começou a analisar tudo o que acontecera e todo o sofrimento a que Eloise se submetera com a distância que estabelecera entre ela e Kenji. Não havia como negar que ela o amava muito e, pelo que mostrava o vídeo, ele ainda a amava também.
                Jéssika sempre foi assim: preocupava-se mais com os outros do que com si mesma. Não importava o que acontecesse, sempre ofereceria seu ombro a um amigo que precisasse.
                Durante horas, ela esteve pensando no que poderia fazer pra ajudar sua amiga. Vê-la sofrer lhe deixava mal, como se tivesse sempre um peso sobre seu coração.
                Foi mais inconsciente do que conscientemente que revirou seus armários atrás da agenda onde sabia que tinha anotado o número de Kenji – muitos anos atrás–, pegou seu celular e discou o número.
                – Alô – Kenji atendeu, sua voz embargada de sono mostrava que estava dormindo, e só nesse momento Jéssika percebeu que o dia já estava quase amanhecendo e ela não dormira nada. – Oi? – Kenji insistiu.
                – Oi, desculpe te acordar. – ela disse, ciente de que tinha um bom motivo para acordá-lo.
                – Quem tá falando? – Kenji perguntou, quase sussurrando.
                – É a Jéssika, amiga da Eloise. – Jéssika falou, sabendo que ao som desse nome, ele certamente acordaria de vez.
                – Eloise? Jéssika? – Como previra, ele acordou, mas confuso.
                – Vi o seu vídeo. Ou, melhor dizendo, nós vimos seu vídeo.
                – Nós? – Kenji ponderou e logo falou mais alto, como se estivesse entendendo o motivo do telefonema somente naquele momento, uma nota de esperança em sua voz – Espera, você está com a Eloise?
                – Estou. – Jéssika confirmou, ciente de que a amiga poderia matá-la pelo que estava fazendo –  Sinto muito não ter contado durante todos esses anos, mas é que ela me proibiu. Não que agora ela tenha deixado, mas é que eu não suporto mais vê-la sofrer.
                Jéssika percebia que Kenji estava mais animado a cada palavra que dizia, como se sua vida estivesse mergulhada em trevas e agora ele estivesse vendo uma luz no fim do túnel. Fez com que ele prometesse não ligar para Eloise nem nada do tipo, que somente aparecesse, sem dar a ela a chance de fugir novamente. Passou-lhe o endereço e, quando ele perguntou se ela estivera nesse lugar durante os três anos que se passaram e Jéssika confirmou, ele começou a falar sozinho, punindo-se por não ter procurado direito.
                Depois de acalmá-lo, Jéssika concluiu que era hora de dormir. Desde que o Arashi chegara ao Brasil, não tivera nenhuma noite completa de sono, e seu corpo começava a reclamar.

Flashback off
                – Considerando tudo o que me contou, acho que fez o certo, mesmo que ela a tenha feito prometer não contar nada... – Aiba ponderou, segurando as mãos de Jéssika e limpando uma lágrima que escorria em sua face.
                – É, mas tem outra coisa que me incomoda. – ela falou – Eu venho sentindo, a cada dia, que o sentimento da Eloise pelo Jun vem crescendo e se modificando.
                – Como assim?
                – Ela é fã de vocês há quase 11 anos e o Jun sempre foi o ichiban dela, não importa o quanto ela gostasse dos outros 4. Costumávamos falar dele como marido dela. – Jéssika explicou – Aí ele chega, todo sedutor, com aquele sorriso lindo, do jeito que ela sempre sonhou, despejando todas as qualidades dele sobre ela. Seu coração estava instável, procurando uma maneira de fazer com que o sofrimento pelo qual ela passava terminasse.
                “Nos primeiros dias, ela tentou com todas as forças, vê-lo como sempre viu, mas logo foi perdendo as forças, o coração dela foi se entregando, e agora ela está sem saída. O amor da vida dela voltou, o maior sonho dela se realizou e a coisa mais impossível está acontecendo. Eu me sinto culpada por tê-lo trazido de volta logo agora que o coração dela teria outra chance.”
                – Não fique assim, porque ela é uma pessoa racional e totalmente capaz de decidir o que é melhor pra ela. – Aiba falou, ocultando sua preocupação com o coração do amigo, que certamente seria o mais prejudicado.
                – Espero não ter piorado tudo. – Jéssika choramingou.
                – Não piorou, acredite. – ele disse, olhando-a nos olhos.
                Apesar de não ser na melhor situação, nessa noite, Aiba pôde perceber uma qualidade que ele e Jéssika tinham em comum: o valor que davam à verdadeira amizade.
                Ainda mantinham as mãos juntas, apertadas, e foi nesse momento que seus olhares se cruzaram novamente. Uma fração de segundo se passou, enquanto olhavam fundo nos olhos um do outro, analisando cada coisa que tinham em comum.
                Aiba aproximou-se ainda mais e, no impulso, encostou levemente seus lábios sobre os dela. Inesperadamente, Jéssika correspondeu ao seu beijo, fazendo com que seus lábios se movessem numa sincronia perfeita. As mãos de Aiba passaram para as costas dela, subiram até seu cabelo, sempre acariciando.
                Tão rápido quanto começara, o beijo terminou, Jéssika e Aiba ofegando. Durante alguns segundos evitaram olhar um para o outro, mas quando os olhos se encontraram, os dois começaram a rir alto, gargalhar.
                – Por que fizemos isso mesmo? – Aiba perguntou, ainda rindo.
                – Não faço ideia! – ela respondeu, por um momento, se esquecendo de todo aquele sentimento de culpa que carregava e sorrindo.
                – Posso repetir? – Aiba perguntou, observando-a seriamente.
                Jéssika parou de rir, observando Aiba. Decidiu que não era necessário que respondesse, então se aproximou dele novamente.
                Dessa vez, o beijo não teve o mesmo clima que o anterior – calmo, ritmado –, era quente, inconstante e fez com que o coração dos dois perdesse o compasso. Somente quando Jéssika sentiu suas costas encostarem-se ao assento do sofá, percebeu que estava deitada, Aiba sobre ela. Parou o beijo, e empurrou-o levemente com uma das mãos.
                – O quê? – ele sussurrou – Algum problema?
                – Rápido demais! – ela sussurrou de volta.
                – Mais devagar então? – ele perguntou, levantando-se.
                – Hai. – ela confirmou, sentindo que seu coração ainda batia no ritmo do beijo.
                – Devagar quanto? – ele perguntou, torcendo para que Jéssika não fosse tão conservadora quanto imaginava.
                – Devagar o suficiente para que a razão domine a emoção. – Jéssika falou e Aiba percebeu que ela não era conservadora, mas sim racional.
                – Vou me esforçar. – ele sorriu, deixando algum espaço entre ele e ela no sofá e estendendo uma das mãos para que ela segurasse.
                – O filme acabou, né? – ela reclamou – Acho melhor escolhermos outro...
                – Nada de terror, tá bom? 

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