domingo, 7 de julho de 2013

[Fanfic] Maboroshikutemo - Capítulo 3


Capítulo 3 – Mada Minu Sekai e (Para um mundo que ainda não vimos)

                Os primeiros passos dentro de um mundo diferente confundem a cabeça de qualquer um.

                Durante toda a semana que se seguiu, Jun esforçou-se em suas tarefas normais, perguntando-se se não seria melhor que não tivesse descoberto o segredo de Ryo e Yuuki. Evitava dirigir-se a ela agora, temendo dizer algo desnecessário.
                Yuuki estranhou ao ver que Jun desistira tão facilmente de agradá-la e chamava o Arashi para reuniões diárias como desculpa para vê-lo e desvendar seu tão inesperado silêncio. Talvez tivesse o julgado errado.
                Enquanto seu melhor carro estava no conserto, Jun usava um indiscreto carro dourado que ganhara da Nissan. As vendas daquele modelo foram maiores do que o esperado e eles acreditavam que era por Jun ter aparecido no CM, por isso, o presentearam com aquele modelo.
                Por sorte, não encontrou mais Ryo pelos corredores. Ele estava gravando um novo dorama e passava pouco tempo na agência. Tinha medo de que ele tocasse naquele assunto.
               
                Sho dirigia até a JE, as juntas brancas do dedos saltando sobre o volante. Estava tenso e não conseguia nem disfarçar. Tinha medo da reação dos quatro, e ainda mais medo da reação do chefe.
                Certamente, Maeda-san seria mais flexível que Johnny Kitagawa, mas não podia esperar até que ele se aposentasse. Não podia mais adiar essa decisão. Cometera um deslize e tinha que lidar com isso, mesmo que fosse difícil para o restante do grupo.
                Enquanto esperava o elevador, afundou as mãos nos bolsos das calças e enterrou sua cabeça no cachecol, escondendo a boca e parte de suas bochechas rechonchudas.
                Chegara cedo e a sala estava vazia, então sentou-se, colocando os fones nos ouvidos. Ligou uma música qualquer. Não estava de fato ouvindo, só tentando relaxar.
                Nino chegou em seguida, os olhos ainda inchados de sono. Tirou o DS do bolso e pôs-se a jogar, praticamente ignorando a presença de Sho ali. Era muito cedo para que Nino conseguisse puxar assunto e preferiu não desconcentrar Sho.
                Ohno, com sua eterna cara de sono sentou-se ao lado de Nino, e depois de alguns minutos observando-o jogar, na esperança de que ele largasse o game lhe desse alguma atenção, desistiu. Abriu uma revista de pesca.
                Aiba entrou na sala cantarolando. Trazia em mãos um saco de papel do qual tirou cinco cheeseburguers e distribuiu, sorrindo.
                –Trouxe café da manhã, Aiba-chan? – Sho riu, tentando esconder sua tensão.
                – Eu estava com fome, então acabei trazendo para todos.  – Aiba abocanhou um grande pedaço de seu cheeseburguer.
                – Vou buscar algo para bebermos, – Ohno levantou-se – já que o MatsuJun está atrasado mesmo.
                – Arigatou Aiba-chan, Oh-chan. – Nino sorriu amarelo, feliz por não pagar pelo café da manhã.
                Assim que Ohno deixou a sala, Jun entrou e sentou-se diretamente em frente à Sho. Murmurou um “ohayou” e pôs-se a ler o script de seu novo dorama. Não podia exigir pontualidade de ninguém quando era ele quem sempre se atrasava.
                Aiba empurrou um cheeseburguer para ele, deslizando sobre a mesa polida.
                – Tomei café em casa. – Jun resmungou, empurrando na direção de Nino – Nino, pode comer.
                – Arigatou gosaimasu! – Nino exclamou enquanto desembalava o segundo cheeseburguer – O Riida está demorando... minha garganta tá seca.
                – Além de ganhar o café da manhã, fica reclamando da demora... – Jun murmurou baixinho, sabendo que os outros ouviriam.
                – Vai começar... – Nino disse, abrindo o game novamente.
                Sho estava ensaiando seu discurso mentalmente e nem ouviu a reclamação de Jun. Só quando Ohno colocou um copo de isopor na sua frente, foi que percebeu que estavam todos ali.
                – Latte para o Sho-kun, – Ohno disse, enquanto entregava os copos, tirando-os do suporte de plástico – Macchiato pro Aiba-chan, Soda gelada para o Kazu, café preto pra mim e Capucchino descafeinado e sem açúcar para o MatsuJun.
                – Arigatou. – os quatro exclamaram em coro. Jun não poderia recusar o café.
                – E aí, Sho-kun, qual o motivo da reunião? – Nino não conseguiu mais se conter.
                Sho bebeu um grande gole de seu café, queimando a língua com o líquido quente.
                – Faz algum tempo que quero falar, mas não consegui reunir coragem e agora não posso mais esconder. – Sho começou, chamando a atenção de todos. Ohno largou a revista de pesca e Nino fechou o DS.
                – Desenrola! – Jun exclamou, perante a longa pausa que Sho fez.
                – Eu vou me casar. – Sho disse num fôlego só.
                – Êeeeeeeeeeeeeeeeeh? – os quatro disseram em uníssono, assustados.
                – Que história é essa, Sakurai? – Jun não se conteve, alterando o tom de voz.
                – Eu sei que só um de nós poderá se casar... Gomenasai! A Koharu-chan está esperando um filho meu. – Sho choramingou, esfregando as mãos nervosamente – E agora com a Maeda-san no comando, suponho que essa regra de um único casamento por grupo seja extinta.
                – Você supõe né? Mas e se não for? Vamos ter que passar o resto de nossas vidas sem firmar compromisso com ninguém? – Jun reclamou, ainda assustado com Sho.
                – Hontou ni gomenasai, minna, mas eu não tenho outra opção. Não posso deixá-la desamparada. – Sho limpou uma lágrima que escorria por sua face.
                – Sho-kun, – Ohno começou, esticando-se para segurar a mão do amigo – por mim tudo bem. Eu acredito que a Maeda-san vá mudar algumas coisas por aqui.
                – Estou com o Riida. – Nino lançou um olhar de desaprovação para Jun, voltando-se para Sho em seguida.
                – Hum, eu também. – Aiba sorriu, mas logo sua expressão se transformou em confusão – Ano... Sho-kun, quem é Koharu-chan?
                Os quatro lançaram-se numa conversa sobre a namorada – futura esposa – de Sho, enquanto Jun analisava a situação. Ele tinha medo de não poder casar-se, mas não tinha fundamento sua preocupação quando ele nem mesmo tinha uma namorada e nunca tivera nenhum tipo de relacionamento sério.
                – Se sou a minoria, – Jun falou mais alto, interrompendo a conversa dos outros – não tenho outra opção senão concordar, mesmo que a contragosto.
                – Arigatou minna! Eu sabia que podia contar com vocês! Jamais me deixariam em apuros... – Sho sorriu, ainda se sentindo mal pelos outros.
                – Mas agora você precisa falar com o Johnny Kitagawa-san. – Jun continuou, vendo a expressão de Sho ficar tensa novamente.
                – Vamos todos juntos. – Ohno disse, olhando para Jun – Ele precisa saber que o grupo aprova isso.
                – Tudo bem, eu vou! Mas se eu arrumar uma namorada, um dia, e não puder me casar – Jun falou em tom de brincadeira, mas sua expressão era séria – vou atormentá-los o resto de minha vida!
                – Arigatou gosaimashita! – Sho curvou-se. Ele realmente esperava pela compreensão do resto do grupo – Vou marcar uma reunião com o chefe e os aviso em seguida.
                – Estou saindo. – Jun levantou-se e deixou a sala, levando o café consigo.
                Viu Yuuki mais à frente no corredor, e automaticamente diminuiu o passo, de modo que não precisasse pegar o elevador com ela. Ela parou, esperando pelo elevador e Jun percebeu que não teria como evitar, a menos que fosse pelas escadas, mas ficaria muito visível que ele estava a evitando.
                Os dois entraram no elevador e Jun olhou para o teto, bebericando seu café. O clima pesado pelo silêncio.
                – Já arrumou o carro? – Yuuki corajosamente quebrou o silêncio, ainda estranhando a curiosa atitude de Jun.
                – Ainda está no conserto. – ele respondeu sem tirar os olhos do teto.
                Yuuki esperou que ele continuasse falando. Diante o silencio dele,  ela começou a batucar com as unhas, impaciente.
                – Escuta... – ela começou, em seguida, as portas do elevador se abriram e ela calou-se.
                – O que? – Jun bebericou seu café calmamente.
                – Nandemonai. – deu-lhe as costas, deixando o elevador à passos rápidos.
                Jun ainda não conseguia encará-la. Tinha medo de olhá-la nos olhos.
Logo Ryo terminaria seu dorama e possivelmente começaria a atormentá-la. Algo dentro de Jun dizia que ele deveria ajudá-la, mas ele ainda não sabia como lidar com isso. Não sabia se deveria ajudá-la. Nem mesmo se lembrava de seu propósito de crescer dentro da Johnny’s, tamanha era a confusão em sua mente.
Ele tampouco conseguia pensar na reação das fãs ao saber que Sho iria se casar e ser pai. O Arashi estava entrando em uma nova fase, em um mundo que ainda não havia sido visto.

Continua...


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Faça um autor feliz! Deixe seu comentário aqui: